Quando namorar é prazeroso

Posted on Apr 9, 2013 | 0 comments

 Nesse texto G. Lopes nos diz sobre as diferenças de desejo e desempenho entre mulheres e homens. O prazer deve ser procurado além do orgasmo e o encontro sexual deve ir além do coito.

 Casal

Entre as dimensões da sexualidade humana está o prazer. O prazer está no compartilhar carícias, na troca afetiva, no gostar de tocar e de ser tocado e também na possibilidade de sentir orgasmo. O prazer não é sinônimo de orgasmo e não é exclusivo das áreas genitais. Todo o corpo é erotizável e, por isso, passível de sentir prazer.

O prazer começa diante de um estímulo (que pode ser uma fantasia, um toque, um olhar, um cheiro, um som, etc.) ao qual o nosso corpo responde com desejo sexual. Assim como a fome, o desejo sexual não é visível porque não é uma ação, mas sim um sentimento, uma energia. Não é possível saber se uma pessoa sente desejo, se ela não disser.

A mulher, ao contrário do homem, pode ao longo do relacionamento perder o desejo espontâneo, porém manter a capacidade de ser responsiva sexualmente. Pode, diante de um momento de intimidade, responder com excitação aos estímulos do parceiro (percepção de sensação de prazer subjetivo e objetivo), que, à medida que excita, desperta o seu desejo, levando-a a se excitar mais ainda e, na continuidade dos estímulos, chegar ou não ao orgasmo. A percepção de satisfação sexual a motiva a buscar sexo em outra ocasião. Portanto, as mulheres têm um modelo de resposta sexual cíclico e não linear como os homens.

O desejo sexual espontâneo feminino existe, em geral, em três situações: novidade de parceria, determinados dias do ciclo menstrual (que variam para cada uma) e diante do momento de reatamento de uma relação que teria terminado. A falta de desejo espontâneo nas mulheres não significa que elas possuam menos desejo que os homens. Ele (o desejo) é apenas diferente na maneira de se manifestar. A partir do desejo sexual (nos homens) a pessoa pode buscar o estímulo e realimentar a estimulação, de forma a se excitar.

No momento da excitação as mudanças corporais se fazem visíveis: o coração bate mais rápido, a respiração fica ofegante, a mama aumenta de tamanho, os mamilos ficam rígidos, os músculos do corpo se contraem, aumenta a lubrificação vaginal e ocorre a ereção do pênis.

A continuidade do jogo sexual “pode” (diferente do “tem de”) levar ao orgasmo, que é uma sensação de prazer máximo. Na mulher, o orgasmo é seguido do aumento das contrações vaginais e no homem, pela ejaculação. É mais fácil para a mulher chegar ao orgasmo através do estímulo direto do clitóris (boca, mão, vibrador, etc.) do que através da penetração. E da mesma forma que não existe obrigação pelo orgasmo, não existe a de ambos os parceiros terem o orgasmo ao mesmo tempo.

O corpo, após um ciclo de resposta sexual (desejo, excitação e orgasmo) entra em um estado de relaxamento. No homem, inclusive, é necessário um descanso para que ele consiga nova ereção seguida da ejaculação. Isso não é geralmente necessário à mulher.

Seria bom que todos, homens e mulheres, entendessem que no sexo o que mais vale é o prazer de brincar, e que a ereção (ou lubrificação na mulher), coito e orgasmo fossem entendidos como conseqüências do brincar prazeroso. Nesse caso, o foco não estaria no resultado, e sim no processo, na entrega total.                                                                                                                         

G. Lopes